27-30 septiembre 2016
AECID - Centro de formación, Centro Cultural de España y Cooperativa Bancaria
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Centro de Formación - Atrio
Eje II: Prácticas y resultados de proyectos de investigación interdisciplinarios

Ser em Movimento: a interdisciplinaridade da Capoeira

Oradores

  • Prof. Alécio DONIZETE
  • Mr. Cinezio PEÇANHA

Autores principales

Coautores

Resumen de contenido

RESUMO: Introdução – Nascido em um componente curricular do dmmdc (doutorado multidisciplinar da UFBA) chamado “Diferença e Tradição”, coordenado pelo professor Eduardo Oliveira, cuja proposta é pensar o Brasil com a Capoeira, este texto foi produzido por um mestre de capoeira e um professor de filosofia aceitando o desafio interdisciplinar. As ideias principais que se encontram aqui são: a discussão de conceitos e performances da capoeira, buscando: a) compreendê-los como expressões próprias de uma cosmovisão que concebe o mundo sempre em transição, ao mesmo tempo em que busca ‘no movimento’ elementos de autoconhecimento e afirmação; b) examinar até que ponto tais conceitos nos auxiliam na tarefa de entender a diversidade que é o Brasil. Ao mesmo tempo pergunta-se pelo nosso lugar e pelo nosso modo de ser, adotando-se a capoeira que é ao mesmo tempo arte, jogo, dança, educação física, etc. como referencial interdisciplinar privilegiado desde onde se lança âncora para a reflexão. HIPÓTESES OU PERGUNTAS E OBJETIVOS O objetivo do trabalho é responder as perguntas seguintes perguntas: que tipo de conhecimento é a capoeira? Qual a importância do corpo na cultura da capoeira e como isso se traduz numa cosmovisão? O que a ginga e outros movimentos da capoeira traduzem daquilo que somos enquanto brasileiros? METODOLOGIA Adotamos como metodologia 1) a exploração da experiência dos autores na área (seja a capoeira, seja a filosofia); 2) partilha de variadas formações e experiências dos integrantes da turma durante as aulas; 3) estudo da bibliografia indicada e outras como textos filosóficos clássicos e textos manuscritos pelos mestres de capoeira locais; 4) escrita a quatro mãos de texto produzido, corrigido e reescrito em conjunto. ANÁLISE A percepção do movimento como base da realidade não é nova. Antigos gregos como Heráclito já importunavam a metafísica ocidental fundada na perspectiva identitária do ser ‘Uno e imutável’. Essa tradição idealista, ligada a Parmênides e na releitura cristã de Platão, predominou no Ocidente, mas a figura de Heráclito jamais adormeceu e se apresenta em pensadores como Nietzsche, Kierkegaard, Deleuze, etc. Já a capoeira, cuja matriz cultural, direta ou indiretamente é africana só existe em função do movimento e da corporeidade e “nasce da ginga”. Se é possível falar numa filosofia da capoeira ela seria fruto da contingência biológica e da diversidade da na cultura brasileira fragmentada”. Na tradição filosófica ocidental predominante em nossa Academia, o corpo, não raro, é negado; o inteligível prevalece sobre o que é sensível e o que é fixo – seja o Ser em sua identidade consigo mesmo, seja o Deus Uno ao qual todos deveriam se converter – é apresentado como eticamente mais puro e, portanto, mais confiável do que o ‘que se move’.

RESULTADOS E CONCLUSÕES A capoeira, em parte é arte, permite a livre imaginação e a criatividade, e é, também, vivência, autoconhecimento, compreensão do todo, afirmação de pertencimento radical à natureza. Além seria jogo, dança, esporte, filosofia que produz um conhecimento da corporeidade em movimento numa cosmovisão marcada pela cultura brasileira. A Academia, marcada pela noção de disciplina, talvez tenha dificuldades para dialogar porque ainda quer explicar o que é a Capoeira enquanto a própria Capoeira esteja mais empenhada em dizer o que ela não é.

Palabras clave

Capoeira, movimento, conhecimento-interdisciplinar